• 16 de Fevereiro de 2016

ENGENHARIA DA LIMPEZA

Iniciamos este artigo, com um breve relato a respeito da engenharia não convencional. Em engenharia trabalha-se com Projeto de Experimento, que é uma abordagem técnica especializada que objetiva mensurar por medição, os efeitos de variáveis do processo por meio da realização de experimentos.

Um experimento é um procedimento no qual são feitas alterações propositais nas variáveis de modo que se possa avaliar as possíveis alterações nas respostas ou resultados. Um projeto de experimentos consiste de uma sequência de experimentos em que são feitas alterações simultâneas em diversas variáveis segundo um arranjo ortogonal, possibilitando com relativamente poucos experimentos medir com precisão o efeito de várias variáveis.

Agora vamos ao assunto da vez: “Engenharia” da Limpeza”

Quando o assunto é a terceirização dos serviços de Higienização e Limpeza pode-se observar outro panorama, com os segmentos de hospitais, shoppings, hotéis, complexos corporativos e plantas industriais estando inseridos neste mercado.

Nestes segmentos, existem os que já nasceram com as atividades de Limpeza terceirizada e possuem esta cultura, e os que ainda não demonstram interesse em terceirizar, por diversas razões e paradigmas praticados. São neles, portanto, que o trabalho de convencimento é longo e requer profunda argumentação e contra-argumentação para que as prestadoras consigam uma abertura para apresentar a proposta de um projeto-piloto, podendo o processo levar meses ou até anos.

Façamos, agora, uma rápida análise de como cada um destes segmentos encara a contratação de serviços de limpeza:

• Setor de shoppings: é aquele onde existe a maior cultura para terceirizar os serviços. Por outro lado, é também aquele que exige sempre o menor investimento e uma grande qualidade nas prestações, tornando complexa a conciliação de um nível de qualidade de padrão internacional com o baixo custo desejado. Por isso, o volume de contratos é importante para viabilizar a operação neste segmento.

• Complexos corporativos: repete-se aqui a situação do setor anterior, por se tratarem de condomínios onde os custos de Limpeza são repassados aos locatários e proprietários, que nunca aceitam facilmente o aumento das cotas condominiais. A exceção fica por conta dos edifícios-sede de grandes corporações, que não estão preocupadas somente com o menor custo, exigindo também qualidade.

• Setor hospitalar: neste segmento, o mais importante é a quebra de paradigmas, uma vez ser comum a premissa de que a equipe própria garante mais segurança, menos riscos e melhor comprometimento. De forma muito lenta, este conceito está mudando e alguns hospitais já terceirizam sua Limpeza, em número, entretanto, ainda incipiente. Resta, assim, um trabalho de médio e longo prazos a ser desenvolvido pelas prestadoras.

• Mercado hoteleiro: persiste aqui quase o mesmo paradigma dos hospitais com relação à equipe própria: priorização e garantia da segurança de seus hóspedes, respeito aos mesmos e confiabilidade nas operações. Embora já existam diversos hotéis com serviços de Limpeza terceirizados, este é um mercado ainda em desenvolvimento, necessitando de um trabalho de convencimento de que a terceirização pode trazer redução de custos, otimização de recursos e o emprego de equipes bem treinadas e atualizadas nas melhores e mais modernas técnicas da Limpeza eficiente e e ficaz.

• Setor industrial: este é o mercado de 1ª linha que todas as prestadoras de serviços de limpeza priorizam em seu planejamento, pois desejam ter este segmento em seu portfolio. Nele, os clientes fazem questão de pessoal qualificado, treinado e que fale a mesma linguagem técnica, exigindo, ainda, uma relação de confiança com os terceiros. Neste segmento, não é somente o custo que decide, até porque há segredos industriais envolvidos e, normalmente, os contratos possuem, no mínimo, 24 meses de duração, com opção de renovação por igual período, o que permite estabilidade e confiança mútua entre o tomador e o prestador dos serviços. Há um comprometimento de parceria de ambas as partes para otimização dos recursos e alcance de índices de desempenho de excelência.
Ainda na limpeza industrial, a higienização interna de tubos, caldeiras e tanques, são integrantes de critérios perfeitos, e ampla ligação com a engenharia de manutenção.

Sempre que estamos frente a um projeto destinado a instalações sanitárias não devemos pensar apenas em atingir as metas de capacidade de produção, mais também as metas de qualidade obtidas por uma limpeza adequada dos sistemas após cada etapa ou batelada de produção, e desta forma existem Normas, Regulamentos e Portarias que determinam qual é o nível mínimo aceitável de limpeza para as instalações antes de começar uma produção.

As instalações sanitárias que requerem este tipo de tratamento são principalmente as existentes nas Indústrias Alimentícias, Cosméticas, Farmacêuticas e de Biotecnologia, e é aqui onde nasce a necessidade da inclusão dos diferentes sistemas de limpeza para cada aplicação específica.

Podemos dizer que dependendo das exigências do produto manufaturado, os sistemas de limpeza serão mais ou menos estritos quanto a sua concepção, capacidade de limpeza e efeito final nas instalações lavadas, sanitizadas ou esterilizadas.

Conforme estas exigências, podemos separar os sistemas de lavagem, sanitização e esterilização como segue:

• Sistema de lavagem \" Washing in Place\" - WIP
• Sistema de lavagem por arraste - PIG
• Sistema lavagem \"Cleaning in Place\" - CIP
• Sistema de sanitização e/ou esterilização \"Steam in Place\" - SIP

Cada um destes sistemas atinge um padrão de sanitariedade diferente sendo necessário estabelecer qual é o sistema mais indicado para cada instalação. Dependendo da complexidade das instalações, estes sistemas poderão ou deverão ser incluídos nos projetos isoladamente ou combinados de acordo com as exigências do produto final.

Se houver interesse podremos enviar matérias complementares.

Neste segmento, há indústrias que já nasceram com a limpeza terceirizada, e outras não, existindo, até mesmo, casos de tal duplicidade em um mesmo conglomerado empresarial. Em resumo, trata-se de um setor que normalmente exige qualidade e confiabilidade dos serviços e da equipe, devendo ser realizados por empresa idônea e reconhecidos no mercado por sua seriedade e comprometimento. Nessa linha, cabe ainda enfatizar que, conforme já mencionado, o custo dos serviços é, evidentemente, um fator muito importante, mas não o principal para que um contrato venha ou não a ser fechado.

Veremos agora, em linhas gerais, como se desenvolve o processo de contratação e as questões básicas que o propenso tomador de serviços de Limpeza costuma considerar, avaliar e/ou formular ao buscar um eventual prestador:
Quantas pessoas vou ter que demitir?
Quanto essas demissões vão nos custar?
Vamos reduzir custos com a terceirização ou não? Quais as vantagens do processo? Estamos pensando somente em reduzir custos ou em contar com um parceiro de longo prazo, que disponibilize pessoal sempre atualizado e treinado? Quem vai cuidar de nossa atividade-meio, para que possamos pensar somente em nosso core-business e na melhoria contínua de nossa qualidade?

Quanto vamos reduzir por mês em nosso atual custo de Limpeza? E qual será o pay-back do nosso custo de demissões?

Estamos convictos de que a atividade de Limpeza não é parte integrante de nosso core business e sim uma atividade-meio?

Os sistemas críticos de Limpeza de máquinas e equipamentos que podem afetar a produção continuarão sob nossa responsabilidade ou serão também terceirizados? Quais são os riscos?

A gestão dos equipamentos, acessórios e produtos de Limpeza irá ou não continuar conosco?

Sem dúvida, apenas estes 7 itens são motivo de muitas horas de conversa e reflexão no âmbito da equipe técnica do futuro contratante, levando eles, em média, de 2 a 5 meses - e até mais, em muitos casos - para serem inteiramente digeridos É assim que funciona este mercado no Brasil.

Em se tratando de Departamentos Comerciais de empresas de médio/grande porte, não se fecham 10 ou 15 contratos por ano (por vendedor) porque, por exemplo, para assinar um contrato de média monta (entre R$ 50 e 70 mil mensais), leva-se de 3 a 8 meses entre a primeira reunião e o efetivo fechamento, salvo exceções emergenciais.

Neste negócio pensa-se, portanto, nos médios e longos prazos, com as decisões passando por vários processos de avaliação no futuro cliente, incluindo os níveis gerenciais da operação da Limpeza.

Artigo escrito por: Osmar Viviani
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